MOTORHOME E VEÍCULO DE APOIO

Escrito por: Paulo Dantas

dntas-siteVamos discorrer sobre mais um tema que interessa a campistas e caravanistas: rebocar um veículo de apoio para passeios, compras, socorro e para conhecer lugares de difícil acesso para o RV.
Como sempre afirmo, respeito às opiniões contrárias, mas emitirei a minha como colaborador da Revista MotorHome e para orientar os menos experientes. Recentemente eu estava vendendo meu RV porque havia comprado um mais novo.

O pretendente, que era de outro Estado e tentava adquirir seu primeiro veículo de recreação, me bombardeava com perguntas como é natural. Uma delas foi se o meu MotorHome, um MotorTrailer montado em uma Sprinter 412, teria capacidade de rebocar outro veículo. Passei de vendedor a consultor técnico, pois, foram muitas indagações. Entendi a ansiedade do interessado, e a curiosidade de saber tudo antes de adquirir o RV, afinal a compra de um MotorHome deve ser bem pensada. Não é um objeto qualquer que se possa repassar ou doar a alguém caso não tenhamos feito uma boa escolha. Rebocar ou não outro veículo, pela minha experiência, é uma decisão muito pessoal. Conheço pessoas que não abrem mão de tal conforto, e outras que tiveram sérios problemas e não fazem mais.

Começo a emitir meus conceitos: Para se rebocar outro veículo, deve-se avaliar o custo/benefício. Vale à pena cruzar nosso Brasil de ponta a ponta tracionando um?
Já imaginaram o custo de tal atitude?

Primeiro, teremos um aumento do consumo de combustível do veículo tracionador, e uma despesa extra com os pedágios (que no Brasil é uma extorsão).

Segundo; são inegáveis as dificuldades de manobras, especialmente à marcha ré com o veículo acoplado. Se errarmos o caminho em uma estrada estreita, teremos de desatrelar o veículo tracionado a fim de fazermos a manobra para retornarmos e em seguida recolocarmos o mesmo.

Terceiro; a suspensão do segundo veículo, por ser mais delicada, sofrerá as consequências da má conservação de nossas estradas. É muito comum pneus estourados, rodas desalinhadas ou quebradas e amortecedores rebentados. Sei do caso de um caravanista que não percebeu um pneu furado do segundo veículo, e quase sofre um acidente. O estrago do aro, pneu e suspensão foi feio. O quadro só não foi mais grave porque alguém que o ultrapassou, sinalizou avisando.

Quatro; conheço muitos casos de quase acidentes, e até de acidentes com morte, provocados pelos engates mal feitos, mal instalados ou pelo manuseio indevido. Em Pernambuco um veículo desatrelou-se, invadiu a pista contrária, e matou duas pessoas que caminhavam no acostamento. Outro caso foi de um colega campista que puxava um carro, teve seu engate quebrado, e o carro ficou ziguezagueando, seguro apenas pela corrente de segurança que, felizmente, estava fixada no chassi do MotorHome.

Quinto; há quem reboque um buggy por ser leve e mais resistente. Bem, trata-se de um carro sem conforto, totalmente aberto onde não se pode deixar nada dentro.

Viajei com um amigo rebocando tal apoio.
Onde acampávamos, ele perdia meio dia fazendo a limpeza do Buggy, retirando fuligem de óleo diesel, poeira e lama (vez que pegamos chuva na estrada). Todo o interior do carro estava imundo. Ri muito ouvindo as reclamações e os palavrões de infeliz caravanista.

Não seria justo depois de falarmos tanto sobre o tema, não dizermos alguma coisa de positivo. Por exemplo: Quem viaja ou acampa com pessoas de idade ou crianças, poderá necessitar de um segundo veículo para atender a uma emergência.

Certa vez no CCB de João Pessoa na Paraíba, um colega campista passou mal com um princípio de enfarto e foi uma correria braba. Felizmente alguns colegas que puxavam carros de apoio logo chegaram com os mesmos e conseguiram leva-lo para um hospital.

Em outra ocasião, um veículo de recreação apresentou um defeito mecânico na estrada e prontamente teve assistência devido a uma viatura tracionada, que foi útil na busca de um técnico na cidade mais próxima.

Se o caravanista faz questão de puxar um automóvel de apoio, que o faça analisando sua utilidade, um jipinho destes modernos é interessante, pois uma vez o MotorHome estacionado, facilita o deslocamento em estradas ruins, para reconhecimento e posterior retorno, é útil em passeios locais de difícil acesso ou para pequenos municípios próximos, casos em que fica impossível chegar com um veículo grande.

Para concluir, informo que se o campista usa um MotorHome pequeno ou de pouca potência, tracionar outro carro torna-se tarefa enfadonha porque a velocidade e a potência exigida nas subidas, cai consideravelmente, força o veículo tracionador aumentando o consumo de combustível, e provocando o desgaste prematuro do motor. Uma pequena moto acoplada no para-choque traseiro pode ser a solução.

Advirto que o alongamento do chassi e consequentemente do para-choque para condução de qualquer objeto fere as normas do Código de Trânsito Brasileiro, uma vez que considerado pelo Denatran como mudança de característica. O leitor poderá dizer que usa tal artifício há anos e nunca foi molestado. Concordo com a afirmação.

É que as Polícias Rodoviárias Estaduais e Federais fazem vista grossa, para nossa sorte.

 

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